quarta-feira, 12 de junho de 2013

Bullying ou Intimidação



O ato de intimidar, forçar outra pessoa a fazer algo, é uma experiência comum para muitas crianças e adolescentes. As pesquisas indicam que até metade das crianças em idade escolar sofrem algum tipo de bullying em algum momento durante os anos escolares, sendo pelo menos 10% deles uma intimidação regular.

O comportamento de intimidar a outra criança ou adolescente pode ser de caráter físico ou verbal. Os meninos costumam utilizar mais a intimidação física ou ameaças, sem preocupar-se com o gênero das suas vítimas. Já as meninas usam mais as intimidações verbais, sendo geralmente direcionadas a outras meninas. Ultimamente, com o aumento do uso da internet pelos adolescentes, são bastante frequentes os atos de intimidação em plataformas como as redes sociais, o que se denomina ¨cyber bullying¨.

As crianças intimidadas acabam experimentando um sofrimento real, fato que pode afetar o seu desenvolvimento tanto social como emocional. O seu rendimento escolar também pode decair significativamente. Lamentavelmente, algumas vítimas de bullying intentaram o suicídio por não suportar mais as perseguições e castigos dos colegas.

As crianças e adolescentes que intimidam aos seus colegas acabam sentindo-se engrandecidas ao controlar ou dominar os outros. Muitas vezes, os próprios agressores foram em algum momento das suas vidas agredidos, sendo vítimas de abuso físico ou de intimidações. Por outro lado, os agressores podem estar enfrentando um quadro de depressão.

As crianças/adolescentes que são agredidas não costumam ser populares nas escolas ou nos ambientes sociais em que frequentam. Normalmente são crianças mais passivas, com poucos amigos e que se intimidam com muita facilidade. Também podem ser fisicamente menores que seus agressores, já que se torna mais difícil que possam defender-se das ameaças.

Se você suspeita que seu filho esteja sendo intimidado por algum colega é fundamental que busque ajuda o quanto antes. Se não se realiza uma intervenção visando finalizar este tipo de comportamento, as dificuldades acadêmicas, emocionais e sociais podem ser difíceis de superar para a criança. Também não se pode esquecer que legalmente, os pais são responsáveis por crianças menores de idade e legalmente podem sofrer consequências em função das condutas do seu filho.

Converse com o pediatra, professor, orientador da escola ou qualquer pessoa que possa ajudar. Se mesmo assim a intimidação continua ou se seu filho sofreu importantes prejuízos que afetam o desenvolvimento normal das suas atividades, procure um psicólogo ou psiquiatra infantil. Nestes casos uma avaliação detalhada ajudará a estabelecer uma estratégia de intervenção para ajudar a criança/adolescente a enfrentar seus problemas. A avaliação também pode ajudar que tanto os pais como a criança entendam qual é a causa da intimidação. De todas as formas, estabelecer um plano para acabar com o comportamento destrutivo é um objetivo fundamental do tratamento nestes casos. 

Ao suspeitar de algo, não tenha medo ou vergonha de conversar com o seu filho, ele precisa da sua ajuda. Converse com ele para saber o que está passando. Estabelecer uma comunicação aberta e sincera, descobrindo que acontece, é o primeiro passo para que se possa fazer algo para proteger seu filho.

Num primeiro momento, é importante que ele saiba que você está ao seu lado e que o objetivo é ajudar a que a intimidação não aconteça mais. Deixe claro que não é culpa dele estar passando por esta experiência negativa, e que falar com você foi uma atitude correta. Outras sugestões são:

• Pergunte ao seu filho o que ele/ela acredita que deve fazer. Também é importante saber se ele já fez alguma coisa a respeito e conhecer o que funcionou e o que não funcionou.

• Busque ajuda do professor e das autoridades da escola, tentando pensar em conjunto estratégias para que as intimidações sejam cessadas.

• Não estimule que seu filho defenda-se brigando com o seu agressor. Ao invés disso, proponha que ele se afaste do mesmo e tente evitá-lo, ou que busque ajuda do professor ou responsável da escola.

• Ajude seu filho a praticar o que dizer no momento em que o agressor esteja próximo e tente intimida-lo. Ajuda-lo a estar emocionalmente mais preparado, fazendo saber que os pais estão juntos e farão tudo para proteger seu filho, é uma atitude bastante empática e pode aliviar os temores da criança.


• Oriente seu filho para que esteja com seus amigos no momento em que se desloca para ir a escola ou no momento em que retorna a casa. Os agressores costumam não incomodar quando a criança está em um grupo de amigos.

• Se o bullying ocorre dentro da escola, exija uma atitude forte por parte da direção da mesma. Se as consequências sofridas pelo seu filho são graves, busque seus direitos na justiça. Isto não vai amenizar o sofrimento já vivenciado pelo seu filho, mais pode ser reconfortante, ao mesmo tempo em que pode impedir que outros casos aconteçam.

Alguns dos sintomas comuns em crianças/adolescentes que sofrem bullying são: retraimento social, sentimentos de tristeza, depressão, resistência em ir para a escola, alteração no rendimento escolar, alterações no humor em geral. Busque ajuda para tentar evitar consequências emocionais maiores para o seu filho e para a família.