terça-feira, 25 de junho de 2013

A internet e as crianças



A internet é uma ferramenta muito valiosa nos dias de hoje, sendo uma fonte de informação inesgotável para pessoas de diferentes idades. Cada vez mais a interação com este meio acontece em idades mais precoces. No entanto, nem todos os conteúdos ou pessoas que estão por detrás da informação obtida são adequados para as crianças. O uso da ferramenta sem supervisão por parte dos pais pode expor a criança a situações perigosas e prejudiciais a ela.

A maior parte dos serviços disponíveis na internet proporcionam as crianças recursos como as enciclopédias, acesso a notícias, bibliotecas e outros materiais didáticos. Além disso, existe uma facilidade de interação com outras pessoas através de plataformas como as redes sociais, ou o uso de programas para conversar entre outros. A capacidade de ir de um lugar a outro, de estabelecer um diálogo com um desconhecido ou uma pessoa conhecida está disponível tão somente com um ¨click¨. Esta característica acaba atraindo a crianças com uma maior impulsividade, já que oferece uma gratificação imediata reforçando o comportamento de busca da criança.

         A maioria dos pais aconselha aos seus filhos que não devem falar com pessoas estranhas, ou abrir a porta para um desconhecido se estão sozinhos em casa e que não devem dar nenhuma informação a pessoas estranhas que chamam por telefone. Também é comum que os pais controlem onde estão os seus filhos, onde brincam e com quem, que programas de televisão são adequados para a sua idade, e quais os livros ou revistas eles podem ler. No entanto, muitos pais não se dão conta de que o uso da internet por crianças deve ter o mesmo tipo de controle e orientação que os pais costumam adotar.

         Os pais não devem supor que as crianças são capazes diferenciar entre uma informação da internet adequada e, portanto, saudável para a sua idade; nem tampouco detectar possíveis riscos em contatar com pessoas estranhas que aparentemente se mostram educadas, receptivas e amistosas. Nem tudo é o que parece ser na internet.  Ao contrario de um programa que passa pela televisão, ou de um amigo que vem brincar com a criança, os pais não podem saber que pessoa está atrás da informação ou da relação que o seu filho estabelece de maneira virtual. Infelizmente, podem acontecer consequências graves para as crianças se são convencidas a fornecer informação pessoal (nome, telefone, senha para o e-mail, endereço) ou mesmo se marcaram um encontro para conhecer pessoalmente a pessoa do mundo virtual.

Além disso, outros problemas incluem: 

Fácil acesso a áreas que não são apropriadas as crianças.

Contato com informação online que estimula à violência, o suicídio, a pornografia.

Convites para que as crianças recebam prêmios ou se associem a um determinado grupo em que é necessário fornecer informação pessoal como o endereço, conta do banco para pessoas desconhecidas.

O tempo que passa diante de um computador é o tempo em que deixa de estabelecer contatos sociais reais, deixando de desenvolver a sociabilidade.

Para ajudar as crianças a ter uma relação mais saudável com a internet, evitando maiores problemas e fomentando experiências positivas os pais poderiam:

Limitar o tempo que as crianças passam navegando na internet;

Ensinar as crianças que falar através de um computador com outra pessoa pode equivaler a conversar com um estranho;

Orientar a criança que nunca deve fornecer informação pessoal, nem dar o número dos dados bancários ou do cartão de crédito;

Dizer que a criança nunca deve conhecer um contato da internet sozinho;
Conversar com o filho dizendo que nem tudo que está escrito ou é dito na internet é verdade;

Utilizar as modalidades possíveis de controle da informação na internet, como programas que não permitem determinados sites não apropriados para crianças;

Saber que para que a criança tenha uma direção de e-mail ela deve ser suficientemente madura para controlar o tipo de informação que vai transmitir;

Supervisar o tipo de mensagens que o seu filho está recebendo;

Ensinar a criança que utilize o mesmo tipo de linguagem que habitualmente utiliza na vida real, evitando o uso de palavrões ou de linguagem vulgar;

Insistir em que a criança obedeça às mesmas regras que foram estabelecidas no momento em que ela acesse outros computadores como na escola, biblioteca, ou na casa de amigos.

Se os pais estão dispostos a monitorar seus filhos com relação ao uso da internet da mesma maneira que orientam os mesmos em outros aspectos da vida, surge a oportunidade de evitar possíveis situações desagradáveis e potencialmente perigosas para os seus filhos. Além disso, é também uma oportunidade de estar próximo ao filho, o que contribui para a relação, além é claro de poder estar aprendendo juntos.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Bullying ou Intimidação



O ato de intimidar, forçar outra pessoa a fazer algo, é uma experiência comum para muitas crianças e adolescentes. As pesquisas indicam que até metade das crianças em idade escolar sofrem algum tipo de bullying em algum momento durante os anos escolares, sendo pelo menos 10% deles uma intimidação regular.

O comportamento de intimidar a outra criança ou adolescente pode ser de caráter físico ou verbal. Os meninos costumam utilizar mais a intimidação física ou ameaças, sem preocupar-se com o gênero das suas vítimas. Já as meninas usam mais as intimidações verbais, sendo geralmente direcionadas a outras meninas. Ultimamente, com o aumento do uso da internet pelos adolescentes, são bastante frequentes os atos de intimidação em plataformas como as redes sociais, o que se denomina ¨cyber bullying¨.

As crianças intimidadas acabam experimentando um sofrimento real, fato que pode afetar o seu desenvolvimento tanto social como emocional. O seu rendimento escolar também pode decair significativamente. Lamentavelmente, algumas vítimas de bullying intentaram o suicídio por não suportar mais as perseguições e castigos dos colegas.

As crianças e adolescentes que intimidam aos seus colegas acabam sentindo-se engrandecidas ao controlar ou dominar os outros. Muitas vezes, os próprios agressores foram em algum momento das suas vidas agredidos, sendo vítimas de abuso físico ou de intimidações. Por outro lado, os agressores podem estar enfrentando um quadro de depressão.

As crianças/adolescentes que são agredidas não costumam ser populares nas escolas ou nos ambientes sociais em que frequentam. Normalmente são crianças mais passivas, com poucos amigos e que se intimidam com muita facilidade. Também podem ser fisicamente menores que seus agressores, já que se torna mais difícil que possam defender-se das ameaças.

Se você suspeita que seu filho esteja sendo intimidado por algum colega é fundamental que busque ajuda o quanto antes. Se não se realiza uma intervenção visando finalizar este tipo de comportamento, as dificuldades acadêmicas, emocionais e sociais podem ser difíceis de superar para a criança. Também não se pode esquecer que legalmente, os pais são responsáveis por crianças menores de idade e legalmente podem sofrer consequências em função das condutas do seu filho.

Converse com o pediatra, professor, orientador da escola ou qualquer pessoa que possa ajudar. Se mesmo assim a intimidação continua ou se seu filho sofreu importantes prejuízos que afetam o desenvolvimento normal das suas atividades, procure um psicólogo ou psiquiatra infantil. Nestes casos uma avaliação detalhada ajudará a estabelecer uma estratégia de intervenção para ajudar a criança/adolescente a enfrentar seus problemas. A avaliação também pode ajudar que tanto os pais como a criança entendam qual é a causa da intimidação. De todas as formas, estabelecer um plano para acabar com o comportamento destrutivo é um objetivo fundamental do tratamento nestes casos. 

Ao suspeitar de algo, não tenha medo ou vergonha de conversar com o seu filho, ele precisa da sua ajuda. Converse com ele para saber o que está passando. Estabelecer uma comunicação aberta e sincera, descobrindo que acontece, é o primeiro passo para que se possa fazer algo para proteger seu filho.

Num primeiro momento, é importante que ele saiba que você está ao seu lado e que o objetivo é ajudar a que a intimidação não aconteça mais. Deixe claro que não é culpa dele estar passando por esta experiência negativa, e que falar com você foi uma atitude correta. Outras sugestões são:

• Pergunte ao seu filho o que ele/ela acredita que deve fazer. Também é importante saber se ele já fez alguma coisa a respeito e conhecer o que funcionou e o que não funcionou.

• Busque ajuda do professor e das autoridades da escola, tentando pensar em conjunto estratégias para que as intimidações sejam cessadas.

• Não estimule que seu filho defenda-se brigando com o seu agressor. Ao invés disso, proponha que ele se afaste do mesmo e tente evitá-lo, ou que busque ajuda do professor ou responsável da escola.

• Ajude seu filho a praticar o que dizer no momento em que o agressor esteja próximo e tente intimida-lo. Ajuda-lo a estar emocionalmente mais preparado, fazendo saber que os pais estão juntos e farão tudo para proteger seu filho, é uma atitude bastante empática e pode aliviar os temores da criança.


• Oriente seu filho para que esteja com seus amigos no momento em que se desloca para ir a escola ou no momento em que retorna a casa. Os agressores costumam não incomodar quando a criança está em um grupo de amigos.

• Se o bullying ocorre dentro da escola, exija uma atitude forte por parte da direção da mesma. Se as consequências sofridas pelo seu filho são graves, busque seus direitos na justiça. Isto não vai amenizar o sofrimento já vivenciado pelo seu filho, mais pode ser reconfortante, ao mesmo tempo em que pode impedir que outros casos aconteçam.

Alguns dos sintomas comuns em crianças/adolescentes que sofrem bullying são: retraimento social, sentimentos de tristeza, depressão, resistência em ir para a escola, alteração no rendimento escolar, alterações no humor em geral. Busque ajuda para tentar evitar consequências emocionais maiores para o seu filho e para a família.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Crianças com problemas para dormir






Muitas crianças apresentam problemas para dormir. Alguns exemplos incluem:
• Despertar-se frequentemente durante a noite;
• Falar enquanto dormem;
• Dificuldade para pegar no sono;
• Despertar-se chorando;
• Ter sono durante o dia;
• Ter pesadelos;
• Urinar-se na cama;
• Apertar os dentes;
• Despertar-se muito cedo.

Muitos dos problemas que as crianças têm enquanto dormem estão relacionados com hábitos irregulares de dormir ou com a ansiedade de ir para a cama e ficar dormido. As desordens persistentes ao dormir podem ser também dificuldades emocionais. A ansiedade por separação forma parte de uma etapa crucial do desenvolvimento infantil. Para todas as crianças pequenas, o momento de deitar-se é um momento de separação. Algumas crianças fazem de tudo para evitar a separação ao ter que deitar-se. Para ajudar a minimizar estes problemas bastante frequentes ao dormir, os pais devem estabelecer algumas rotinas e regular a hora de dormir da criança. 

Os pesadelos são relativamente comuns durante a infância. A criança lembra-se dos seus pesadelos, normalmente estes possuem fortes ameaças ao seu bem estar. Os pesadelos podem começar em diferentes idades e afetam mais as meninas que os meninos. Para alguns meninos/meninas, os pesadelos são coisa séria, frequentes e interferem na qualidade do seu sono.

Os terrores noturnos, o sonambulismo e o falar enquanto a criança está dormida constitui um grupo relativamente raro de distúrbios do sono denominado parassonias. Os terrores noturnos são diferentes dos pesadelos. A criança com terror noturno gritará incontrolavelmente e parecerá estar desperta, mais está confundida e não poderá comunicar-se. Os terrores noturnos costumam aparecer entre os 4 e 12 anos.  Já as crianças sonâmbulas parecem estar despertas enquanto caminham pela casa, mais estão em realidade dormidos e podem se machucar. O sonambulismo usualmente começa entre os 6 e os 12 anos. Tanto os terrores noturnos como o sonambulismo são comuns em algumas famílias e afetam mais os meninos que as meninas.

As crianças com parassonias normalmente apresentam apenas um episódio ou episódios esporádicos. Entretanto, si os episódios acontecem muitas vezes durante a noite ou todas as noites durante várias semanas, ou interferem no comportamento durante o dia da criança, a consulta com um psicólogo pode ser necessária. 

A inversão dos períodos em que um adolescente dorme (de dia) ou está acordado (de noite) pode acontecer. O sono dos jovens pode ser prejudicado por um possível transtorno do humor, abuso de substâncias, o TDAH, ansiedade ou depressão.

Por sorte, na medida em que a criança cresce geralmente supera estas dificuldades para dormir assim como os problemas mais graves (parassonias). No entanto, si os pais pensam que o problema é significativo e urgente, devem consultar diretamente o pediatra ou um psicólogo habilitado.