quarta-feira, 24 de abril de 2013

Terror noturno: a criança deve dormir com os pais?



É bastante frequente que as crianças pequenas peçam para dormir na cama com os pais. Se isto acontece, o primeiro a fazer não é diretamente permitir ou não que a criança durma no quarto dos pais, mais sim entender que está sucedendo com o filho.

Pode ser que ela esteja com medo de dormir sozinha? Ela tem receio de perder os pais e quer passar todo o tempo possível com eles, como se fosse a sua extensão? É um comportamento habitual da criança? O primeiro passo é saber o que está acontecendo com ela.

Em muitas ocasiões a criança desperta bruscamente durante a noite, excitada, com medo e agitada. Quando isso acontece, ela treme, não reconhece quem lhe fala e continua vivendo o pesadelo terrível. Este quadro denomina-se terror noturno

Essas crises de pânico se repetem, às vezes, durante várias noites, outras ocorrem a cada certo tempo. Podem ser mais ou menos fortes e intensas. Quando são transitórias e não passa de um simples despertar sobressaltado, não têm maior importância. É importante ficar um momento ao lado da criança e serená-la, para que se sinta novamente bem e durma sem maior dificuldade.

Contudo, em muitos casos a criança segue excitada, não havendo forma de tranquiliza-la a não ser levando para o quarto dos pais. O que fazer nestes casos? De imediato, é preciso acalmá-la, oferecendo-lhe segurança e garantindo-lhe de que terá companhia em seu quarto o tempo que for necessário.

É importante aquietar a criança no mesmo ambiente em que sofreu os terrores, ou seja, em seu próprio quarto. Um bom sistema para que os pesadelos desapareçam, é colocar uma luz tênue à altura do chão, para que ela não se depare com a escuridão da noite. Se ela preferir uma luz mais forte como a de sua mesinha de cabeceira, coberta com algo que atenue sua intensidade, é preciso ensiná-la a apagá-la sozinha, quando já estiver tranquila e mais sonolenta. Será uma ¨luz de companhia¨. Trata-se de fazer com que a criança, por seus próprios meios, aprenda a manejar as situações de temor.

Nas primeiras noites, são os pais que devem realizar esta operação, fazendo com que cada dia a criança participe mais em proporcionar segurança a si mesma, apagando ou acendendo a luz, quando o considerar necessário. Chegará o momento em que ela abandonará essa rotina de apagar e acender a luz, por já ter conseguido superar o medo.

Em situações de pânico excessivo também é preciso tranquilizar a criança por completo: deixá-la dormir numa pequena cama junto aos pais pode ser alternativa. Os pais podem acariciar a criança em intervalos de tempo para que ela vá se sentindo cada vez mais segura com a própria presença física dos seus genitores.

Às vezes, algumas mães não encontram explicação para o temor de seus filhos. Contudo, elas mesmas, reconhecem que diante de qualquer ruído estranho, manifestam pânico e mandam as crianças ficarem em silêncio enquanto perguntam: ¨Não ouviram o barulho da cozinha?¨. Evidentemente, a criança, que está tranquila brincando no chão, recebe um exemplo vivo de temor refletido no rosto de sua mãe. A partir de então pode que tenha dificuldades de ficar sozinha no quarto. Ao menor ruído pode sentir o mesmo temor que aprendeu de sua mãe.

Sugestões a seguir:
Transmitir segurança e tranquilidade, utilizando métodos afetivos que diretamente ajudem seus filhos a se tornarem fortes diante dos seus medos.

- Ajudar as crianças a desenvolver habilidades com as quais possam fazer frente, de maneira gradual, à situação temida.

- Colocá-las, pouco a pouco, em contato com a situação temida, partindo de estados de tranquilidade e de relaxamento infantis.
- Oferecer explicações verbais e demonstrações práticas de que o objeto ou situação temida não encerra perigo algum.

- Apresentar à criança exemplos vivos de atitudes tranquilas e nada temerosas de outras crianças em face de situações que não consideram dignas de temor.

- Condicionar a criança para que se vá convencendo, pouco a pouco, de que aquilo que teme não tem importância e até deve acabar tornando-se agradável.


Apesar de tudo, há crianças que adquirem o costume de ir à cama dos pais, até que depois que o medo já desapareceu. Assim, pois, as visitas à cama dos pais nunca devem transformar-se num hábito. Podem ser empregadas para que a criança se acalme em situações extremas de pânico, só nos cinco ou seis primeiros anos e de maneira circunstancial. Passada aproximadamente uma hora, ela deve ser levada a cama, completamente adormecida e tranquilizada.

Se a criança está doente também é interessante que a criança durma com os pais para que ela possa ser cuidada e para que a tarefa para os pais seja feita de maneira mais tranquila desde um ponto de vista logístico. No entanto trata-se de uma situação circunstancial. No momento em que a criança está bem novamente a criança deve retornar ao seu quarto.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A pílula da polêmica





Em uma matéria publicada no dia 4 de março de 2013 no jornal Zero Hora, o uso do medicamento para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na infância e adolescência foi abordado. Trata-se de uma droga denominada metilfenidato. A sua principal ação é combater os sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade manifestados por este tipo de crianças. O uso da Ritalina ou Concerta (nomes comerciais no Brasil para o metilfenidato) é um tema que atualmente vem preocupando a pais, professores e profissionais da saúde mental.
 
Segundo a reportagem, os diagnósticos errados ajudam a fazer de Porto Alegre a capital brasileira líder em consumo de medicamentos para o Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Para Luís Augusto Rhode, responsável pelo Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade do Hospital de Clínicas, concorda que, em muitos casos, a prescrição é feita indevidamente em consultas rápidas.

O primeiro ponto a destacar é que nem toda criança agitada e distraída tem TDAH. É preciso saber muito bem diferenciar o nível de atenção e atividade normal de acordo com a idade das crianças do que não é esperado na mesma faixa etária com relação a estas características. Si as crianças em questão são muito pequenas, a dificuldade de diferenciar o normal do patológico é ainda maior, devido a que crianças pequenas são naturalmente agitadas e desatentas.

A psicóloga Alice Peres Duarte afirmou nesta reportagem que boa parte das crianças que atende não precisaria estar sendo medicadas. Segundo ela, precisavam que os pais estivessem mais presentes.
Outra questão é que dificuldades visuais e auditivas também podem contribuir com algum grau de desatenção. Prova disso é que em um estudo realizado em campinas, verificou-se que das 365 crianças que começaram a usar óculos de grau 36,2% ficaram menos agitadas, 57% ganharam concentração e 51% passaram a finalizar tarefas que antes não finalizavam. Isto significa que um simples par de óculos pode eliminar alguns dos principais sintomas que caracterizam o TDAH.

Os resultados da investigação e as dificuldades de diferenciar os comportamentos normais das condutas consideradas inadequadas apontam para a necessidade de que os psicólogos e profissionais implicados realizem um diagnóstico com maior critério. Lamentavelmente, não existe nenhum exame clínico que comprove a presença do TDAH. Na maioria dos casos o diagnóstico está fundamentado na consulta clínica de um profissional.

A literatura é bastante extensa e confirma que o uso da medicação é muito eficaz na diminuição da intensidade dos sintomas em muitas crianças. No entanto, o uso da Ritalina massivo deve sim ser questionado. Para evitar isso, é necessária uma prática diagnóstica fundamentada nas maiores evidencias possíveis: observação da criança no seu contexto natural, realizar entrevista com os pais e professores, conhecer o que se espera de uma criança em diferentes idades e níveis do desenvolvimento. Além disso, realizar exames físicos para descartar possíveis problemas neurológicos, problemas de ouvidos ou olhos bem como o uso de testes psicológicos que permitam verificar as razões para o pobre desenvolvimento acadêmico.

Outra questão a ser discutida é saber se as crianças de hoje em dia não estão respondendo a uma necessidade de adaptar-se a um mundo dinâmico, de constantes mudanças como o mundo atual, repleto de tecnologia e de uma quantidade de informação brutal e de fácil acesso através da internet através de dispositivos como celulares, computadores, tablets etc. Em outras palavras, para acompanhar a velocidade do mundo atual seria necessário uma conduta mais agitada com um cérebro que busca o seu equilíbrio. Ainda a ciência não nos oferece uma resposta. 

O certo é que o TDAH é uma doença séria, altamente incapacitante e que necessita de um tratamento adequado. Porém apenas para aquelas crianças que realmente apresentam o quadro. Para todas as outras talvez uma boa dose de carinho, atenção, respeito e encontros autênticos seja mais que suficiente.



Principais comportamentos de crianças que apresentam sintomas típicos do TDAH em diferentes idades.



Conduta

Pré-escolares
(3-6)

Escolares
(6-12)

Adolescência

Idade Adulta


Desatenção
Sequencias curtas de brincadeira (<3min).
Deixa as atividades incompletas, não escuta.
Atividades breves (<10min).
Mudanças prematuras de atividades.
Esquecido,
desorganizado,
distraído pelo ambiente.
Persistência menor que os iguais (<30min). Ausência de foco nos detalhes das tarefas, planejamento pobre.
Pouco detalhista, esquece os compromissos, falta de planejamento.

Hiperatividade

Furacão
Inquieto quando se espera tranquilidade.

Inquieto

Senso subjetivo de inquietude

Impulsividade

Sem senso de perigo
Não espera o turno, interrompe os pares, rompem regras sem pensar, acidentes.

Autocontrole pobre, Imprudência com os riscos.

Acidentes de carro, impaciência, toma decisões imprudentes