quinta-feira, 18 de julho de 2013

As crianças e o divorcio




Atualmente, um de cada dois casamentos terminam em divorcio. Muitos casais que resolvem separar-se têm filhos. É bastante frequente que os pais separados se preocupem com o efeito do divorcio com relação aos seus filhos. Além de ser um período delicado, por vezes marcado por situações de intenso estresse como disputas por bens e propriedades, além de alterações emocionais importantes, os pais são conscientes de que são as pessoas mais importantes no mundo do seu filho e que devem ter maior cuidado com eles neste momento.

 Enquanto que os pais podem sentir-se desconsolados ou contentes com o processo da separação, as crianças manifestam preocupação, se sentem assustadas e confundidas com seu futuro. Uma separação pode ser percebida como uma forte ameaça à segurança pessoal da criança. Alguns pais se sentem tão sobrecarregados pelo divorcio que buscam ajuda, mesmo que inconsciente, dos próprios filhos. Uma separação conjugal pode ser mal compreendida pela criança. Por este motivo, o diálogo neste momento difícil é fundamental. Os pais devem sim dizer o que está passando para a criança, como a separação pode afetar a eles e quais são as perspectivas com relação a mudanças na sua vida a partir do divorcio.

É bastante comum, principalmente em crianças menores, que os filhos pensem que são o motivo da separação. Outras crianças podem chegar a assumir a responsabilidade de tentar reconciliar os pais e acabam sacrificando a sua saúde emocional. Durante um processo de separação conturbado e carregado de raiva em função de constantes desacordos por parte dos pais, a criança entra em contato com uma situação traumática, podendo tornar-se mais vulnerável tanto a doenças físicas como mentais. É com muito cuidado e atenção que os pais podem auxiliar a crianças a entender o que de fato está acontecendo, fornecendo a ela todo o suporte necessário neste momento, buscando soluções mais positivas para o conflito e diminuindo assim os riscos de maiores complicações em diferentes áreas da vida do seu filho.

É importante que os pais estejam atentos a alguns sinais de que seu filho está vivendo em uma condição de estresse importante. As crianças menores podem manifestar maior agressividade, isolamento social, tristeza, alterações no humor como irritabilidade. Já as crianças maiores também podem sentir muita tristeza, apresentar choro fácil, comportamentos de rebeldia. O rendimento escolar também pode se ver afetado. As pesquisas demonstram que filhos de pais divorciados durante a sua adolescência ou idade adulta costumam ter problemas em suas relações afetivas e também de autoestima com uma maior frequência.

As crianças terão menores dificuldades se sabem que tanto o papai como a mamãe continuarão atuando como pais, que eles seguirão exercendo o papel de progenitores e de protetores do filho, mesmo que o papai e a mamãe já não vivam juntos. As disputas prolongadas com relação à guarda do filho assim como a tentativa de coerção das crianças para que tomem partido por um dos pais (alienação parental) pode provocar muita dor nas crianças e aumentar ainda mais as dificuldades já inerentes num divorcio. As pesquisas revelam que as crianças se desenvolvem melhor quando os pais tem a capacidade de cooperar visando o bem estar do filho.

A busca do bem estar do filho deve ser uma condição vital e permanente para um desenvolvimento sadio e formação de uma base para um adulto mais equilibrado e feliz em sua vida. Se a criança mostra sinais de estresse, os pais devem consultar um profissional qualificado para realizar uma avaliação da criança e estabelecer um plano de tratamento se assim for necessário. O psicólogo também pode reunir-se com os pais e oferecer pautas para ajudar a família que aprenda a minimizar o estresse. A psicoterapia para crianças de um casal divorciado e também para os pais separados pode ser de grande benefício.

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