É bastante frequente que as crianças pequenas peçam
para dormir na cama com os pais. Se isto acontece, o primeiro a fazer não é
diretamente permitir ou não que a criança durma no quarto dos pais, mais sim
entender que está sucedendo com o filho.
Pode ser que ela esteja com medo de dormir sozinha?
Ela tem receio de perder os pais e quer passar todo o tempo possível com eles,
como se fosse a sua extensão? É um comportamento habitual da criança? O
primeiro passo é saber o que está acontecendo com ela.
Em muitas ocasiões a criança desperta bruscamente
durante a noite, excitada, com medo e agitada. Quando isso acontece, ela treme,
não reconhece quem lhe fala e continua vivendo o pesadelo terrível. Este quadro denomina-se terror noturno
Essas crises de pânico se repetem, às vezes,
durante várias noites, outras ocorrem a cada certo tempo. Podem ser mais ou
menos fortes e intensas. Quando são transitórias e não passa de um simples despertar
sobressaltado, não têm maior importância. É importante ficar um momento ao lado
da criança e serená-la, para que se sinta novamente bem e durma sem maior
dificuldade.
Contudo, em muitos casos a criança segue excitada,
não havendo forma de tranquiliza-la a não ser levando para o quarto dos pais. O
que fazer nestes casos? De imediato, é preciso acalmá-la, oferecendo-lhe
segurança e garantindo-lhe de que terá companhia em seu quarto o tempo que for
necessário.
É importante aquietar a criança no mesmo ambiente
em que sofreu os terrores, ou seja, em seu próprio quarto. Um bom sistema para
que os pesadelos desapareçam, é colocar uma luz tênue à altura do chão, para
que ela não se depare com a escuridão da noite. Se ela preferir uma luz mais
forte como a de sua mesinha de cabeceira, coberta com algo que atenue sua
intensidade, é preciso ensiná-la a apagá-la sozinha, quando já estiver
tranquila e mais sonolenta. Será uma ¨luz de companhia¨. Trata-se de fazer com
que a criança, por seus próprios meios, aprenda a manejar as situações de
temor.
Nas primeiras noites, são os pais que devem
realizar esta operação, fazendo com que cada dia a criança participe mais em
proporcionar segurança a si mesma, apagando ou acendendo a luz, quando o
considerar necessário. Chegará o momento em que ela abandonará essa rotina de
apagar e acender a luz, por já ter conseguido superar o medo.
Em situações de pânico excessivo também é preciso
tranquilizar a criança por completo: deixá-la dormir numa pequena cama junto
aos pais pode ser alternativa. Os pais podem acariciar a criança em intervalos
de tempo para que ela vá se sentindo cada vez mais segura com a própria
presença física dos seus genitores.
Às vezes, algumas mães não encontram explicação
para o temor de seus filhos. Contudo, elas mesmas, reconhecem que diante de
qualquer ruído estranho, manifestam pânico e mandam as crianças ficarem em
silêncio enquanto perguntam: ¨Não ouviram o barulho da cozinha?¨. Evidentemente,
a criança, que está tranquila brincando no chão, recebe um exemplo vivo de
temor refletido no rosto de sua mãe. A partir de então pode que tenha
dificuldades de ficar sozinha no quarto. Ao menor ruído pode sentir o mesmo
temor que aprendeu de sua mãe.
Sugestões a seguir:
Transmitir segurança e tranquilidade, utilizando
métodos afetivos que diretamente ajudem seus filhos a se tornarem fortes diante
dos seus medos.
- Ajudar as crianças a desenvolver habilidades com
as quais possam fazer frente, de maneira gradual, à situação temida.
- Colocá-las, pouco a pouco, em contato com a
situação temida, partindo de estados de tranquilidade e de relaxamento
infantis.
- Oferecer explicações verbais e demonstrações
práticas de que o objeto ou situação temida não encerra perigo algum.
- Apresentar à criança exemplos vivos de atitudes
tranquilas e nada temerosas de outras crianças em face de situações que não
consideram dignas de temor.
- Condicionar a criança para que se vá convencendo,
pouco a pouco, de que aquilo que teme não tem importância e até deve acabar
tornando-se agradável.
Apesar de tudo, há crianças que adquirem o costume
de ir à cama dos pais, até que depois que o medo já desapareceu. Assim, pois,
as visitas à cama dos pais nunca devem transformar-se num hábito. Podem ser
empregadas para que a criança se acalme em situações extremas de pânico, só nos
cinco ou seis primeiros anos e de maneira circunstancial. Passada
aproximadamente uma hora, ela deve ser levada a cama, completamente adormecida
e tranquilizada.
Se a criança está doente também é interessante que
a criança durma com os pais para que ela possa ser cuidada e para que a tarefa
para os pais seja feita de maneira mais tranquila desde um ponto de vista
logístico. No entanto trata-se de uma situação circunstancial. No momento em
que a criança está bem novamente a criança deve retornar ao seu quarto.
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