Em uma matéria publicada no dia 4 de
março de 2013 no jornal Zero Hora, o uso do medicamento para o Transtorno de Déficit
de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na infância e adolescência foi abordado. Trata-se de uma droga denominada metilfenidato.
A sua principal ação é combater os sintomas de desatenção, hiperatividade e
impulsividade manifestados por este tipo de crianças. O uso da Ritalina ou Concerta
(nomes comerciais no Brasil para o metilfenidato) é um tema que atualmente vem
preocupando a pais, professores e profissionais da saúde mental.
Segundo a reportagem, os diagnósticos
errados ajudam a fazer de Porto Alegre a capital brasileira líder em consumo de
medicamentos para o Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Para
Luís Augusto Rhode, responsável pelo Programa de Transtornos de Déficit de
Atenção/Hiperatividade do Hospital de Clínicas, concorda que, em muitos casos,
a prescrição é feita indevidamente em consultas rápidas.
O primeiro ponto a destacar é que nem
toda criança agitada e distraída tem TDAH. É preciso saber muito bem
diferenciar o nível de atenção e atividade normal de acordo com a idade das
crianças do que não é esperado na mesma faixa etária com relação a estas
características. Si as crianças em questão são muito pequenas, a dificuldade de
diferenciar o normal do patológico é ainda maior, devido a que crianças
pequenas são naturalmente agitadas e desatentas.
A psicóloga Alice Peres Duarte
afirmou nesta reportagem que boa parte das crianças que atende não precisaria
estar sendo medicadas. Segundo ela, precisavam que os pais estivessem mais
presentes.
Outra questão é que dificuldades visuais
e auditivas também podem contribuir com algum grau de desatenção. Prova disso é
que em um estudo realizado em campinas, verificou-se que das 365 crianças que
começaram a usar óculos de grau 36,2% ficaram menos agitadas, 57% ganharam
concentração e 51% passaram a finalizar tarefas que antes não finalizavam. Isto
significa que um simples par de óculos pode eliminar alguns dos principais
sintomas que caracterizam o TDAH.
Os resultados da investigação e as
dificuldades de diferenciar os comportamentos normais das condutas consideradas
inadequadas apontam para a necessidade de que os psicólogos e profissionais
implicados realizem um diagnóstico com maior critério. Lamentavelmente, não
existe nenhum exame clínico que comprove a presença do TDAH. Na maioria dos
casos o diagnóstico está fundamentado na consulta clínica de um profissional.
A literatura é bastante extensa e
confirma que o uso da medicação é muito eficaz na diminuição da intensidade dos
sintomas em muitas crianças. No entanto, o uso da Ritalina massivo deve sim ser
questionado. Para evitar isso, é necessária uma prática diagnóstica
fundamentada nas maiores evidencias possíveis: observação da criança no seu
contexto natural, realizar entrevista com os pais e professores, conhecer o que
se espera de uma criança em diferentes idades e níveis do desenvolvimento. Além
disso, realizar exames físicos para descartar possíveis problemas neurológicos,
problemas de ouvidos ou olhos bem como o uso de testes psicológicos que
permitam verificar as razões para o pobre desenvolvimento acadêmico.
Outra questão a ser discutida é saber
se as crianças de hoje em dia não estão respondendo a uma necessidade de
adaptar-se a um mundo dinâmico, de constantes mudanças como o mundo atual,
repleto de tecnologia e de uma quantidade de informação brutal e de fácil
acesso através da internet através de dispositivos como celulares,
computadores, tablets etc. Em outras palavras, para acompanhar a velocidade do
mundo atual seria necessário uma conduta mais agitada com um cérebro que busca
o seu equilíbrio. Ainda a ciência não nos oferece uma resposta.
O certo é que o TDAH é uma doença
séria, altamente incapacitante e que necessita de um tratamento adequado. Porém
apenas para aquelas crianças que realmente apresentam o quadro. Para todas as
outras talvez uma boa dose de carinho, atenção, respeito e encontros autênticos
seja mais que suficiente.
Principais comportamentos de crianças
que apresentam sintomas típicos do TDAH em diferentes idades.
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Conduta
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Pré-escolares
(3-6)
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Escolares
(6-12)
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Adolescência
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Idade Adulta
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Desatenção
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Sequencias curtas de brincadeira
(<3min).
Deixa as atividades incompletas,
não escuta.
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Atividades breves (<10min).
Mudanças prematuras de atividades.
Esquecido,
desorganizado,
distraído pelo ambiente.
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Persistência menor que os iguais
(<30min). Ausência de foco nos detalhes das tarefas, planejamento pobre.
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Pouco detalhista, esquece os
compromissos, falta de planejamento.
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Hiperatividade
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Furacão
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Inquieto quando se espera
tranquilidade.
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Inquieto
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Senso subjetivo de inquietude
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Impulsividade
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Sem senso de perigo
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Não espera o turno, interrompe os
pares, rompem regras sem pensar, acidentes.
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Autocontrole pobre, Imprudência com
os riscos.
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Acidentes de carro, impaciência,
toma decisões imprudentes
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