Muitos jovens pensam em suicídio em algum momento de
suas vidas. Por sorte, poucos realizam a tentativa de suicidar-se e uma pequena
minoria acaba falecendo por esta causa.
A automutilação caracteriza-se por qualquer forma
não fatal de alguma agressão ao próprio corpo. São exemplos: cortar-se, tomar
uma overdose, correr no tráfico etc. Nestes casos existe uma motivação para
morrer mais nem sempre é consciente. Por outro lado, o suicídio é o resultado direto
de atos de automutilação. É bastante comum que alguns destes adolescentes se
automutilem apenas uma vez na sua vida. Outros jovens acabam repetindo este
comportamento. Os especialistas no tema acreditam que é preciso entender que a
automutilação faz parte de um continuo do fenômeno suicida.
Jovens com risco de suicídio apresentam pensamentos
de morte ou ideias de agressão direta ao próprio corpo (ideação suicida). Também
são comuns pensamentos sobre planos para morrer, onde e como realizar o ato, bem
como de prever o impacto que o suicídio pode ter nas pessoas próximas a ele.
Uma das principais motivações para o comportamento
suicida é o pensamento de que algo ou determinada situação é imutável, gerando
um sentimento de desesperança.
As estatísticas apontam que os meninos são mais
propensos a morrer de suicídio que as meninas, exceto na China e Índia. Por
outro lado, as meninas apresentam mais comportamentos não fatais relacionados
ao suicídio (automutilações) que os meninos.
Segundo pesquisas realizadas, um de cada seis
adolescentes revelaram ter considerado a possibilidade de suicidar-se ou de
produzir alguma agressão contra o seu físico um ano antes da pesquisa. Um de
cada dez dos jovens acabou realizando uma automutilação no ano anterior. A
morte por suicídio é relativamente infrequente em adolescentes.
Os principais fatores de risco que aumentam o
fenômeno em crianças e adolescentes são: transtornos psiquiátricos como a depressão,
abuso sexual, abuso de substâncias, sentimentos de desesperança, problemas
familiares, estratégias de enfrentamento pouco adaptativas, comportamento
suicida na família, nos amigos e na mídia, incluindo a internet, redes sociais
etc.
Outro fator importante que as pesquisas demonstram
ser um fator de vulnerabilidade para o suicídio é o nível de impulsividade e de
agressividade da criança ou adolescente. Além disso, ter história previa de
comportamento suicida aumenta o risco de futuras tentativas de suicídio. O
grande risco de repetição se dá no primeiro ano após a tentativa suicida ou de
automutilação.
Os fatores de proteção (que podem reduzir o risco ao
suicídio) são: boas amizades, habilidade em resolver problemas, um bom controle
interno da agressividade e da impulsividade bem como estar implicado em
atividades complementares ao estudo (esporte, aprender uma língua estrangeira). Ter um pensamento positivo e crenças
afirmativas sobre a vida também são de grande ajuda, assim como uma afiliação
religiosa.
É importante que os pais fiquem atentos a certos
comportamentos dos filhos como: isolamento, depressão, tristeza, sentimento de
vazio, uso de drogas, convívio com jovens que apresentam condutas ilegais,
presença de historia de suicídio ou de automutilação na sua família, ausência
de controle da agressividade ou impulsividade. Se você suspeita de algo, esteja
ao lado do seu filho: ofereça apoio e busque ajuda de um profissional o antes
possível. Neste momento ele precisa muito da família e sentir-se amado para que
possa reverter o quadro.
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